Festival Eletronika aporta em Salvador. Leia entrevista exclusiva com James Pants

postado por Chico Castro Jr. @ 4:20 PM
10 de maio de 2012

Os rappers Emicida (centro), Projota e Rashid formam O Três Temores, atração de sábado no Eletronika

Tendência cada vez mais forte entre festivais, a itinerância traz mais um – de grife – para Salvador: é o mineiro Eletronika – Festival de Novas Tendências, que acontece em Belo Horizonte desde 1999 e rola sexta-feira e sábado no reformado casarão do Cine Teatro Solar Boa Vista (Engenho Velho de Brotas).

Leia, no seu Caderno 2+ desta sexta-feira, matéria completa sobre o festival, com muito mais informação.

Abaixo, leia entrevista com a atração internacional James Pants. Mais abaixo, confira o serviço completo.

James Pants: "Áreas VIP são a escória da humanidade"

James Pants, DJ e multi-instrumentista bastante badalado nos circuitos cosmopolitas mundo afora, nasceu em Spokane, cidadezinha no noroeste dos Estados Unidos. Seu som bem difícil de definir, mas contem elementos claros de soul, electro, rap old school, new wave, pós punk, disco e por aí vai. Lançou três álbuns pelo selo Stones Throw Records: Welcome (2008), Seven Seals (2009) e James Pants (2011). É meio que um “DJ dos DJs”. Uma prova disso foi a declaração do adorado rapper Tyler The Creator, cabeça do coletivo Odd Future: “James Pants is one of the most creative fucking people to walk this earth”. Em tradução bem educada, “James Pants é uma das pessoas mais criativas sobre a Terra”.

Caderno 2+: Já imaginou que algum dia você ia se aprsentar em um lugar tão distante quanto Salvador – BA? Como se sente?

James Pants: Acho que sempre me imaginei indo ao Brasil algum dia, mas não esperava que fosse em Salvador. Mas ouvi boas coisas daí. Mal posso esperar. Gostaria de conseguir alguns besouros gigantes para minha coleção também.

C2+: Como será seu show aqui? DJ set ou você vem com uma banda? Você costuma tocar com banda? De que jeito você prefere?

JP: No show eu farei algo entre DJ set e show ao vivo. I discoteco, canto, berro e toco bateria ao mesmo tempo. Estilo show de variedades. Eu costumava tocar com uma banda completa, mas ficou muito caro . Mas gosto de fazer das duas formas.

C2+: Sei que a maioria dos artistas não gosta de “rotular” sua música, mas se alguém botasse uma arma na sua cabeça e dissesse “rotule ou morra”, o que você diria?

JP: Bom, a maioria das minhas canções tem um verso, refrão e ponte, o que faz de mim “pop”, certo? Acho que “pop esquisito” seria a resposta.

C2+: Vi que você se mudou dos Estados Unidos para morar em Colônia (Alemanha). O que motivou essa mudança?

JP: Queria passar mais tempo com minha esposa e minha filha de três anos. Antes de me mudar, estava excursionando muito. Então acabei optando por um emprego em música (como engenheiro de som) em Colônia. Mas ainda toco em muitos shows pela Europa, nos finais de semana.

C2+: Quantos instrumentos você toca? Você inicia suas composições tocando? Quando entram as partes eletrônicas? Qual seu método de composição – presumindo que você tenha um…

JP: Eu só toco bem mesmo um instrumento, que é a bateria. Costumava tocar em bandas de jazz, bandas marciais, orquestras etc quando estava na escola. Mas piorei muito desde então. Posso tocar teclado com a mão direita e fazer ruídos com a guitarra, mas essas coisas não contam. Na verdade, não tenho um método de composição, eu faço da forma que for mais rápida. Normalmente, faço rascunhos com bateria ou baixo e daí construo (as composições) a partir disso. Se depois de um mês continuarem soando bem, eu as concluo e as transformo em canções completas.

C2+: O release do seu segundo álbum diz que você o criou “enquanto estava lendo livros místicos e O Livro das Revelações (da Bíblia), e inspirado como se estivesse iniciando um culto. Esta (o disco) é a trilha sonora do culto”. E aí, já arrebanhou muitos fiéis para sua seita?

JP: Nem sei quem escreveu aquele release. É horrível, haha! Meu culto nunca progrediu. Uns dois moleques da minha rua aderiram, mas o que eles queriam mesmo era só cerveja grátis.

C2+: Aqui em Salvador seu show será em um teatro localizado em um bairro de clásse média, média-baixa. Nada de área VIP com go go girls, playboys com roupas de grife e coisa e tal. O que você acha disso?

JP: Estou contente pelo show ser em um teatro, prefiro muito mais assim. Áreas VIP são a escória da humanidade.

C2+: Alguns críticos dizem que seu último álbum (“James Pants”, 2011) soa como várias coisas dos anos 1970 e 1980, mas que nenhuma banda ou artista dessas épocas poderiam soar como você, por que, daqui de 2012, dispomos de uma visão completa daqueles tempos e seus estilos. Você concorda?

JP: Yeah. Acho que a paleta sonora foi similar às que eram usadas nos anos 70 e 80, majoritariamente por que eu estava usando instrumentos daqueles tempos. É muito difícil evitar o passado completamente, especialmente em 2012, quando temoa acesso a todas as gravações de todas as eras ao mesmo tempo. Se eu ficasse limitado a ouvir apenas o que tocava no rádio e o que estava na loja de discos na minha pequena cidade, como muitas pessoas faziam nos anos 60, 70 e 80, minha música soaria completamente diferente.

Edição Salvador do Eletronika – Festival de Novas Tendências

Cut Chemist, referência mundial em turntablism (discotecagem ao vivo), atração de sábado

Data: Dias 11 e 12 de maio.
Local: Cine Teatro Solar Boa Vista, no bairro do Engenho Velho de Brotas.
Horário: A partir das 20h.

Atrações:
Dia 11: DJ 440, SILVA, Wado (com participação de André Abujamra) e Kassin (com participação de Arto Lindsay).
Dia 12: DJ 440, James Pants, Cut Chemist e o show “Os Três Temores”, com os rappers Emicida, Projota e Rashid.

ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) para cada dia.
Locais de venda: Balcões do Ticketmix nos shoppings Barra, Iguatemi, Paralela e Salvador ou pelo site (http://ticketmix.com.br/).

Site oficial: festivaleletronika.com.br
Twitter: @eletronika
Facebook: /festivaleletronika

Viralizando vídeos, interesses e trivialidades

postado por Chico Castro Jr. @ 9:34 AM
25 de abril de 2012

David After Dentist: o menino dopado de gás do riso usado pelos dentistas norte-americanos e o mundo inteiro conheceu "por acaso"

Um ditador africano sanguinário, um rapaz gordinho brincando de Guerra nas Estrelas, uma criança dopada na volta do dentista, um travesti e seus “bons drinque”, uma senhora de meia-idade apreciadora da cannabis, um gato ao piano.

Estes e muitos outros improváveis personagens do cotidiano invadiram nossas vidas de forma definitiva através do You Tube, emails recebidos dos amigos, redes sociais e até mesmo pela boa e velha TV a cores.

São os chamados vídeos virais, uma daquelas “coisas” – a princípio, nem boas, nem ruins – com as quais temos que lidar no dia a dia que a era digital nos legou, assim como MP3, correntes, vírus de computador, aplicativos de smartphone, as próprias redes sociais etc.

Para tentar entender este fenômeno ainda tão novo, conversamos com a pesquisadora da Ufba Alessandra Calheira, que é Mestre em Comunicação e Culturas Contemporâneas, na linha de Cibercultura ,Especialista em Marketing pela ESPM e Bacharel em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela UCSal. Alessandra faz parte do GITS – Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade da UFBA.

E aproveite para ler mais sobre vídeos virais no seu Caderno 2+ de hoje (25.04), incluindo algumas dicas de como viralizar um vídeo e declarações do videomaker baiano Daniel Lisboa, autor de um legítimo viral baiano pré-You Tube: o censurado e perseguido O Fim do Homem Cordial.

O FIM DO HOMEM CORDIAL – 2004 from Daniel Lisboa on Vimeo.

ENTREVISTA COM Alessandra Calheira:

C2+: O que é exatamente um vídeo viral? É apenas um vídeo que “se espalha como um vírus” ou tem outra característica menos evidente?

Alessandra Calheira: A analogia feita entre mensagens digitais e epidemias foi estabelecida para ilustrar a forma como algumas mensagens se espalham no ambiente da internet. Uma mensagem (em vídeo, texto ou qualquer outro formato) é enviada para um determinado ator que é “contagiado” e trata de repassar a uma ou mais pessoas que também são “contagiadas” e continuam repassando e repassando tal como uma epidemia viral. Apesar de o termo ter sido apropriado pela população e de uma maneira geral utilizado por alguns pesquisadores, a exemplo de Barabási, este não é um conceito unânime na academia. Alguns pesquisadores criticam o fato desta denominação estar demasiadamente associada a um determinismo biológico, o que isolaria, preliminarmente, a análise das interações sociais e do poder que está associado à estrutura das redes. Tentando deixar mais claro, se as mensagens funcionassem realmente como um vírus, um vídeo muito bom seria disseminado indistintamente, em qualquer rede e em qualquer situação. O que se observa de forma geral, entretanto, é que alguns bons vídeos podem não repercutir. Talvez, seja possível sugerir que um bom vídeo terá maior repercussão na medida em que for receptado e emitido por atores de grande capital social, dotados de relevância e visibilidade, pessoas que mais comumente acostumamos a chamar de “formadores de opinião”. É importante ressaltar que vídeos, correntes, fotografias “virais” existiam antes da popularização dos sites de redes sociais – SRS. Antes do Orkut e do Facebook, esse tipo de mensagem era distribuída por email. Sites, blogs e portais inseriam um link “envie para um amigo”. Esse link talvez pudesse ser considerado um estímulo ao compartilhamento. Com os SRS essa prática ganhou força, principalmente, pela promessa de agilidade no compartilhamento e do alto alcance. A informação pode circular entre as redes de vários atores, aproveitando as conexões dos laços existentes entre as pessoas.

C2+: Parecem-me existir pelo menos dois tipos de vídeo viral: o espontâneo (geralmente algum vídeo caseiro supostamente engraçado, como o Star Wars Kid ou aquele menino voltando dopado do dentista) e os corporativos (como os usados pelas gravadoras major e grandes estúdios como teasers para lançar seus produtos, clipes, trailers etc). É isso mesmo ou há mais modalidades de vídeos virais?

AC: Talvez o que você observe com maior frequência seja a existência de vídeos amadores e profissionais. Ninguém sabe ao certo quais são as variáveis que fazem com que esses vídeos (ou outras mensagens) sejam repassados indistintamente. O interessante talvez, seja observarmos que os vídeos profissionais eram, em um passado bem próximo, exclusivamente veiculados por meio da comunicação de massa. Recebiam grandes investimentos e produção de ponta. No ciberespaço, estes mesmos vídeos publicitários, corporativos ou institucionais competem por audiência com vídeos como esses que você denominou de “caseiros”, feitos muitas vezes de forma improvisada, quase sempre com recursos modestos. Talvez o ciberespaço possa ser considerado um ambiente um pouco mais democrático. Essa era, pelo menos, a proposta inicial quando do surgimento da internet. Sabemos que atualmente o universo digital não pode ser considerado um espaço livre e acredito que boa parte das pessoas nem tenham mesmo essa ilusão. De qualquer maneira, a possibilidade de um vídeo como “Para a Nossa Alegria” obter cerca de 15 milhões de visualizações apenas no Youtube, nos faz acreditar um pouco nesta ideia da mídia mais acessível a todos. Em que outra mídia um vídeo como esse faria tanto sucesso? Ou melhor: em que outra mídia um vídeo como esse chegaria a ser exibido primariamente?

C2+: O vídeo viral tem alguma função social? Serve para alguma coisa de fato ou apenas para mera diversão / comércio / divulgação / enganação alheia (neste último caso, como o Kony 2012)? O que podemos concluir da utilização cada vez maior desses vídeos na internet?

AC: Depende do vídeo e do propósito. Acho que tem um pouco de tudo na internet. Tem até muitos vídeos que foram criados com a ambição de serem virais e simplesmente não aconteceram. Existem vídeos virais que têm o teor social, ambiental, de protesto… um pouco de tudo. Sobre a enganação, o Brasil produziu um vídeo, recentemente, com muitos artistas globais que foi disseminado nos Sites de Redes Sociais (Facebook, principalmente) com o “pseudo” propósito de defesa do meio ambiente. Pouco tempo depois de se transformar num grande sucesso, a ação virou manchete em veículos de massa em todo país, pois especialistas descobriram que o seu conteúdo não se passava de uma grande bobagem. Esse vídeo pode, inclusive, servir como exemplo de um conteúdo que, possivelmente, foi criado com o propósito de se tornar um viral.

C2+: O que significa o vídeo viral? Será uma espécie de momento intermediário entre a extinção da TV tradicional e sua posterior substituição pelo híbrido de TV e computador que vem aí?

AC: Eu não ousaria arriscar uma previsão. As empresas de tecnologia e também de comunicação inovam tanto e tão rápido! Muita coisa já foi prometida, muito do que já foi dito não se concretizou. Tantas outras coisas não previstas surgiram. Enfim, realmente é difícil afirmar.

C2+: Existe alguma mecânica estabelecida para viralizar um vídeo ou se trata de uma incógnita o por que de um vídeo viralizar e outro não (assim como uma música que faz sucesso e outra não)?

AC: É o que mais anunciantes e publicitários desejam descobrir. Quem souber está rico! Não existe padrão. Como disse em uma questão acima… antes a produção era fundamental, agora não é mais. Tecnologias antes disponíveis apenas a quem dispunha de recursos estão agora acessíveis a maior parte da população. Existe indicativos que o humor é um componente importante, a naturalidade talvez seja outro, a inovação… De qualquer forma, todas essas variáveis não passam de observações pessoais e são, quase sempre, preliminares. Tendo a acreditar que o conteúdo e estética sejam relevantes, mas a efetividade na distribuição deste conteúdo tem se mostrado ainda mais. Existem agências de propaganda inclusive, que estudam previamente as redes e formas de lançar determinado vídeo ou conteúdo avaliando a possibilidade de envolver atores dotados de forte Capital Social. Algumas vezes, essas pessoas são remuneradas e passam a fazer parte da estratégia comercial. Mesmo assim, o vídeo viral pode não “viralizar”. Antes de ser professora, fui redatora publicitária. Sempre digo aos meus alunos: desconfiem quando receberem um briefing com o pedido “criar um vídeo viral”. O criativo pode se empenhar ao máximo na execução desta tarefa. Entretanto, quem vai dizer se o vídeo é ou não viral é o público. Corroborando com a crítica que fazem alguns pesquisadores, ser infectado ou não por um vírus não depende de critérios (talvez apenas de anti- corpos, rs!) o vírus não escolhe sua vítima. Com a mensagem, isso não ocorre. Proporcionar a identificação do público com o conteúdo e acertar as pessoas certas para
enviar a mensagem parece ser apenas dois de muitos outros critérios.

C2+: Você poderia apontar um vídeo viral que reúna em si todas as características clássicas de uma peça do gênero? Uma espécie de “vídeo viral definitivo”? Por que?

AC: E o que seria uma peça clássica do gênero? Como disse anteriormente, não se sabe que características são essas. Como “virais inesquecíveis” (se é que posso afirmar isso) cito “Tapa na Pantera”, “Dança do Quadrado”, “Jeremias Muito Louco”… Produzidos
profissionalmente tem um muito bom da Intel chamado “Museum of Me”.

Entrevista: Roland Schaffner e suas Memoráveis Paixões Transculturais

postado por Chico Castro Jr. @ 9:09 AM
24 de abril de 2012

Gestor do Instituto Cultural Brasil-Alemanha (Goethe Salvador) em dois períodos (anos 1970 e 1990), Roland Schaffner lança livro hoje na Biblioteca da instituição sobre seu trabalho aqui, na Índia e na Alemanha (Foto acervo pessoal)

É impossível falar de cultura baiana nos anos 1970 sem ao menos citar o nome de Roland Schaffner, o alemão de Dresden que transformou o Instituto Goethe de Salvador em refúgio para artistas e livres pensadores em uma época em que o próprio ato de pensar era arriscado. Hoje, às 19 horas, na Biblioteca do Icba, ele lança seu livro Memoráveis Paixões Transculturais – Euroafroameríndia, sobre sua experiência como gestor cultural no Brasil, na índia e na Alemanha. Nesta entrevista, ele fala sobre o livro e suas vivências.

Caderno 2+: Em linhas gerais, do que se trata o seu livro?

Roland Schaffner: Memoráveis Paixões Transculturais – Euroafroamerindia apresenta uma retrospectiva de convivências e atividades culturais no Brasil, Índia e Alemanha, entre 1966 e 1999. Numa montagem caleidoscópica, complementam-se relatos sobre promoções culturais, observações sócio-políticas, reflexões teóricas e impressões pessoais. Modelos de projetos artísticos e intelectuais vão sendo expostos nos seus processos de conceituação e realização. Assim, o livro reune seletivamente uma série de projetos em teatro, cinema, música e artes plásticas, além de seminários e colóquios de cunho social e político, realizados sempre a partir da cooperação com jovens artistas e intelectuais dos povos e culturas envolvidos. Apresentamos criticamente os projetos em seus processos de elaboração e realização, avaliando possibilidades, riscos, encontros, confrontos, aproximações e controvérsias que podem desencadear ou impedir, fomentar ou prejudicar os esforços aventurosos no vasto e criativo campo da cooperação intercultural. Para elucidar e enfatizar o caráter intercultural, os projetos relatados se encontram confrontados com avaliações críticas dos participantes, da imprensa local e nacional e do respectivo cenário cultural-político, incluindo contextualizações literárias e poéticas, programáticas e documentárias. Considerando a cultura um fator político-social por excelência, incluímos também reflexões sobre as realidades políticas enfrentadas nos locais, às vezes discriminando, censurando ou reprimindo a criatividade artística e intelectual na sua resistência e luta de estabelecer e manter espaços de livre expressão contra preconceitos, bairrismos ou imposições políticas – malabarismos entre criatividade autêntica ou rebelde e embaraços circunstanciais.

C2+: A gestão do senhor à frente do Icba nos anos 1970 é sempre lembrada como um dos pontos altos da resistência cultural naquele período. Por outro lado, sua passagem nos anos 1990 pelo mesmo cargo não costuma ser tão lembrada. Em que o senhor acha que as duas gestões mais diferem?

RS: As duas gestões diferem bastante por principalmente dois fatores. Fator um são meus fundos biográficos: em 1970, apesar de já há quatro anos no ICBA do Rio de Janeiro, eu ainda tinha pouca experiência profissional. Minha bagagem era praticamente meus estudos acadêmicos e atividades estudantis alternativas, dirigindo clubes de cinema antifascista, uma cooperativa de teatro, e participando numa fase nascitura da Federação Alemã de Estudantes Socialistas. Em 1990, eu já tinha acumulado experiência dirigindo institutos inter-culturais em Calcutá (1978-82) e em Belo Horizonte (1982-88), como também o Departamento de Teatro e Dança da Central do Goethe-Institut Munique (1988- 92), que contribuíram para conceitos de política cultural mais aprofundados. Fator dois é essencialmente a grande diferença sócio-político-cultural entre uma Bahia dos anos 70 e outra dos anos 90. Nos anos de “chumbo” dos 70, encontrei dois desafios: de um lado a repressão política em geral e a censura cultural e intelectual cotidiana. Do outro lado, a ausência quase total de condições ideais e materiais para qualquer expressão cultural livre e inovadora. A solução foi de transformar todos os espaços do ICBA em áreas de criação e apresentação. Essas condições não somente possibilitaram e incentivaram a produção artística e intelectual, mas levaram a formação de coletivos e oficinas nas áreas do teatro, dança, artes plásticas, cinema, musica etc., enriquecidos por intercomunicações e incentivando muitas realizações interdisciplinares. Este “campus” transformou o ICBA num território de encontros e debates dia e noite, atraindo artistas e intelectuais de outras partes do Brasil, resultando também em colaborações transbaianas. Nos anos 90 havia liberdade democrática, mas entrou-se também numa era de neoliberalismo econômico, que contagiou de certa forma o cenário cultural. O espírito coletivo, solidário e inovador dos 70 cedeu ao individualismo, as vezes até um egocentrismo de concorrência entre artistas e grupos pelos favores e esmolas do estado e de mecenas. Um dos resultados lamentáveis eram concessões de comercialização e um sucessivo desnivelamento da produção cultural. Numa situação deste caráter, o ICBA mais uma vez procurou alternativas, de um lado apoiando artistas e grupos injustamente marginalizados, do outro lado incentivando e promovendo novas tendências artísticas, como a vídeo-arte e a digital-arte, ou áreas de novos pensamentos na filosofia, na ecologia ou na critica social e midiática.

C2+: Até chegar aqui em 1970, o senhor já tinha passado por diversos outros países. Como foi sua chegada naquela época?

RS: De fato, eu já havia viajado por diversos paises como estudante, mas o ICBA do Rio de Janeiro foi meu primeiro posto profissional, porém, somente como responsável pela divulgação do Novo Cinema Alemão nas sete metrópoles do Goethe no Brasil. Nessas viagens, conheci Salvador que – em contraste ao “prazeroso” Rio – me impressionou como um Brasil culturalmente “mais original e profundo”. Os primeiros contatos com artistas e intelectuais baianos me motivaram a pedir uma transferência para cá, o que abriu a perspectiva de dirigir e conceituar de maneira autônoma um instituto no melhor local de todos os Goethe no Brasil, aquele casarão na Vitória.

C2+: Que momento (ou quais momentos) o senhor apontaria como “ponto alto” de suas gestões do Icba? Qual seria a sua maior realização à frente da instituição aqui na Bahia?

RS: Uma pergunta impossível de responder, como todos os sete anos nos 70 como também os sete anos nos 90 foram do primeiro ao último dia sequências de “pontos altos”. Claro, teve alguns projetos mais sucedidos do que outros, mas todos me ofereceram
um pleno envolvimento pessoal com os participantes ativos e nos seus processos de conceituação, realização e apresentação. Desta forma as gestões na Bahia também
representam os “pontos altos” da minha própria formação e realização como promotor e
pessoa.

C2+: Com sua experiência, o senhor poderia dizer qual seria a principal
dificuldade de se dirigir um órgão como o Icba em um lugar tão singular como
a Bahia? Da mesma forma, qual foi o maior prazer (ou alegria) que o senhor
teve dirigindo o Icba?

RS: Em principio as dificuldades são as mesmas que qualquer instituição cultural enfrenta, as instancias hierárquicas superiores e as verbas. Outras dificuldades de uma instituição inter-cultural como o ICBA evidentemente podem tornar-se as diferenças de mentalidade e os modos de pensar, as quais talvez serão melhor enfrentados e superadas através de processos de integração no cotidiano social, uma vez que política cultural mexe com a sociedade. Daí resultaram também as solidariedades e amizades com os artistas e intelectuais enriquecendo e valorizando a minha existência com prazer e alegria.

C2+: Gerações de artistas baianos (e mesmo estrangeiros) passaram pelo Icba,
que sempre incentivou muito a cultura local, bem como o intercâmbio com
outras culturas. Como o senhor avalia o papel do Icba no desenvolvimento da
cultura local?

RS: Isso é uma pergunta que somente os participantes ativos nos trabalhos, o amplo publico e o cenário cultural da Bahia podem responder. Me senti muito honrado quando eu fui declarado Cidadão de Honra da Cidade de Salvador em 1992 e quando em 2010 o Conselho de Cultura da Bahia homenageou meus trabalhos numa Sessão Especial. Na ocasião desta entrevista eu gostaria agradecer também a atenção que o ICBA e minha pessoa sempre ganharam na mídia por suas atuações, porem hoje em dia me parece mais justo e importante de destacar que as contribuições à cultura baiana incentivadas e facilitadas pelo ICBA são primordialmente méritos dos artistas e intelectuais que tornaram estes anos culturalmente bem produtivos e inovadoras.

C2+: Como o senhor vê o estado da cultura baiana hoje?

RS: É uma grande diferença de falar sobre um “estado cultural” quando estamos ativamente envolvidos ou à distância do observador aposentado. Na minha impressão, um pouco generalizada, a produção cultural na Bahia entrou numa certa estagnação e num vácuo parcial a partir dos fins dos 1990. Considero triste que a Bahia continua insistindo na sua originalidade cultural com uma atitude quase isolacionista. Não procura intercâmbio com a amplitude de ricas tendências no Brasil grande, Norte a Sul, sem falar das Américas Latinas ou até das Áfricas. Felizmente, nos últimos anos, uma nova geração de artistas começou a mexer com o cenário e parece abrir novos horizontes culturais. Por exemplo iniciativas do Teatro Nu de Gil Vicente, do Grupo Dimenti, do Theatro XVIII e outros, e como o Festival de Teatro Internacional iniciado por Nehle Franke ou o Festival Internacional Viva Dança, que confrontam o cenário com novas ideias e tornam o publico mais informado e atento, desenvolvendo suas capacidades críticas.

C2+: Das praças que atuou, qual apontaria como mais similar à Salvador? E a mais estranha?

RS: Por estranho que possa parecer, Calcutá me lembrava muito a Bahia dos anos 70 na sua efervescência. Infelizmente, encontrei também repressão cultural de um governo comunista ortodoxo, mas em contrapartida ao cenário revoltante e inovador, entre artistas e intelectuais, na sua maioria comunistas de oposição, alguns trotskistas e maoístas. De forma surpreendente, esta oposição procurava nossa colaboração, um instituto “imperialista”, para realizar seus projetos “progressistas”. Destaca-se na Índia uma multiplicidade cultural milenar, fonte inesgotável de novas criações, frequentadas por um publico imenso, profundo conhecedor e apreciador das artes. O mais estranho? Com tantos anos convivendo em outras sociedades e culturas, nas esporádicas visitas à Alemanha me “estranharam” as estruturas rígidas da cultura publicamente organizada e subvencionada, apesar da sua imensa riqueza e variedade, mas prejudicando muito a produção cultural alternativa. Porem, continua impressionar a internacionalização do cenário cultural alemão.

C2+: Como um homem tão viajado, um verdadeiro cidadão do mundo, o senhor
ainda se sente “estrangeiro” ao chegar em algum lugar? Em que lugar do
mundo o senhor mais se sente à vontade, em casa?

Na introdução do meu livro me confronto exatamente com essa questão, citando
Goethe: “Terra alheia pode tornar-se patria?” E procurando respostas, eu respondo com
outras perguntas, partindo da situação da nossa geração alemã de pós-guerra:
uma privação de “pátria” –
causando, justificando um êxodo?
o fascínio pelo alheio, a paixão pelo ‘exótico’ –
levando ao escapismo? à xenofilia?
vivenciar outros moldes sociais e culturais –
motivando a exilar-se?
um ‘êxodo’ irresistível –
procurando empatia com outras musas,
se acomodando, se perdendo em outros berços?
sucumbindo à ilusão de novas identidades?
caindo em vácuos?
aventuras transitórias?
alienações irrecuperáveis ?
opções irreversíveis?
E recorro a uma resposta de Goethe:
“Pátria nos encontramos / Onde alma e corpo formamos”.

DO SITE DA EDUFBA:

Memoráveis paixões transculturais: euroafroameríndia
Roland Schaffner
Com a intenção de estabelecer a interculturalidade do Brasil, Índia e Alemanha, as atividades culturais realizadas nestes locais entre os anos de 1966 e 1999 são retomadas nesta obra através de relatos pessoais, documentos, observações sociopolíticas e reflexões teóricas, além de esboços de viagens para estes países, incluindo metrópoles e seus interiores. Fotografias e gráficos acompanham o texto, que revelam os desafios enfrentados por atores culturais e artistas para manter ou conquistar seu espaço e liberdade de expressão.
Preço: R$ 45

A história do grupo que revolucionou o rock pesado

por Eduardo Bastos

Ícone da cultura pop, o Metallica já teve seu momento até nos Simpsons...

Os antigos sábios acreditavam que tudo o que vive ou foi criado é sustentado por duas colunas de natureza antagônica que se complementam para produzir o equilíbrio, a estabilidade. O pilar da direita é o da Misericórdia e o da esquerda, o da Severidade.

Se olharmos para a história do grupo americano Metallica, veremos que a teoria se encaixa com perfeição.

A banda se criou e se fez grande a partir do antagonismo perfeito entre as personalidades de seus dois membros-fundadores: o baterista dinamarquês Lars Ulrich (a Misericórdia) e o guitarrista James Hetfield (a Severidade).

O jornalista inglês Mick Wall certamente não se baseou em nenhuma fórmula cabalística para escrever a história do grupo em seu livro Metallica: A Biografia (no original, Metallica: Enter Night), que acaba de sair no Brasil pela editora Globo.

Mas reconheceu logo de início o poder desta correlação de forças opostas entre o baixinho e boa praça Ulrich e o grandão e invocado Hetfield na consolidação do fenômeno Metallica.

Experiente profissional de várias mídias na Inglaterra, Wall vinha de uma biografia brilhante que escreveu sobre o grupo inglês Led Zeppelin (Led Zeppelin – Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra), é camarada de um monte de rock stars e ficou famoso também por ter sido “detonado” por Axl Rose na canção Get In The Ring, do álbum Use Your Illusion II, depois que lançou um livro sobre o Guns N’ Roses.

É brother de Lars Ulrich, mas como você verá na entrevista abaixo, não contou com a boa vontade dos caras na hora de escrever sua história (tanto melhor! Biografias autorizadas são tendenciosas e, não raro, aliviam ou omitem os detalhes sórdidos).

Ainda assim, conseguiu produzir 448 páginas de material substancioso, bem escrito e recheado de entrevistas e depoimentos de gente que conviveu de perto com o grupo ou fez parte de sua trajetória.

Romance

Em certos trechos, como na descrição do acidente de ônibus na Suécia que provocou a morte do baixista Cliff Burton em um momento crucial da carreira do Metallica, a narrativa toma ares de romance.

Em outros momentos, Wall intercala narrativas em primeira pessoa de sua convivência com os integrantes do grupo.

Mick Wall mostra como o movimento da New Wave of The British Heavy Metal, no final dos anos 1970, foi fundamental para o surgimento do Metallica em 1982.

Foi da paixão de Ulrich e Hetfield pelo som pesado de bandas britânicas como Diamond Head, Iron Maiden e Saxon que surgiu a motivação para formar o grupo.

A partir destas influências sonoras, somadas com a atitude punk, foi que a banda forjou o som que revolucionaria todo o conceito de rock pesado: o thrash metal.

O resto é história e está tudo bem contado no livro de Wall: o entra e sai de integrantes em torno de Ulrich e Hetfield, a decolagem para a glória a partir da participação na coletânea Metal Massacre, a morte de Burton, a mudança de som e o flerte com o megasucesso no disco Black Album, a briga com os fãs no episódio do Napster, a terapia em grupo…

O miolo do livro é recheado de fotos históricas da banda que virou um monstro do peso.

Metallica – A Biografia / Mick Wall / Globo / 448 p./ R$ 49,90 / www.globolivros.com.br

PS: Leia no seu Caderno 2+ de hoje entrevista exclusiva com o autor Mick Wall.

Crime, último Irvine Welsh publicado no Brasil, no seu Cad.2+

postado por Chico Castro Jr. @ 2:33 PM
6 de abril de 2012

Leia na edição de segunda-feira (9 de abril) do seu Caderno 2+ resenha de Crime, o último livro do polêmico autor escocês Irvine Welsh – o mesmo de Trainspotting e sua continuação, Pornô.

Publicado no Brasil pela editora Rocco, Crime trata, com a pegada eletrizante de sempre de Welsh, da luta de um policial traumatizado, que, durante uma viagem de férias, topa com uma rede de pedofilia agindo na Flórida.

Abaixo, veja o trailer da edição original do livro.

Nesta segunda-feira, no seu Caderno 2+.

Quarta Mostra de Guitarra Baiana começa amanhã no Abaeté

postado por Chico Castro Jr. @ 10:24 AM
4 de abril de 2012

Júlio Caldas, em foto de Rosilda Cruz

Idealizada pelo músico Júlio Caldas, o mesmo da excelente banda Viola de Arame, a Mostra de Guitarra Baiana traz a famosa invenção de Dodô & Osmar para outras épocas do ano.

Em sua quarta edição, a Mostra acontece todas as quintas-feiras de abril, na Casa da Música do Abaeté, sempre com dois guitarristas convidados, acompanhados pelo próprio Júlio & Banda Choro Rock.

A curadoria é do próprio Júlio e o evento é realizado em parceria com a Casa da Música e viabilizado através do Edital de Projetos Calendarizados do Fundo de Cultura da Fundação Cultural do Estado, órgão da Secretaria de Cultura da Bahia.

Nesta quinta-feira (5), leia no seu Caderno 2+ matéria sobre o evento, com entrevista com o curador.

SERVIÇO:
MOSTRA DE GUITARRA BAIANA – ANO 4
TODAS AS QUINTAS-FEIRAS DE ABRIL, SEMPRE AS 20 HORAS
ENTRADA GRATUITA
CASA DA MÚSICA DO ABAETÉ – BAIRRO DE ITAPOAN

PROGRAMAÇÃO:
5 de abril: Fabio Batanj e Lucio Ferraz
12 de abril: Morotó Slim e Mike Caldas
19 de abril: Parah Monteiro e Marcio de Oliveira
26 de abril: Aroldo Macedo e Marcos Molleta

O rock está vivo e manda lembranças

postado por Chico Castro Jr. @ 9:28 AM
4 de abril de 2012

Longe do espectro da grande mídia – muito ocupada com reality shows e irrelevâncias a fim –, pode às vezes parecer ao grande público brasileiro que o rock já era, que é algo que se resume aos dinossauros de sempre e fedelhos de cabelo esticado.

Ledo engano. Boas bandas surgem a todo momento. Algumas levam tempo para se firmar e chegar ao grande público. Já outras, graças ao processo meio planejado, meio espontâneo, denominado hype, são içadas à fama instantânea.

Mastodon (foto: Cindy Frey), de Atlanta, chega ao auge criativo no quinto álbum, The Hunter, que a Warner lançou no Brasil

No primeiro grupo está o quarteto norte-americano Mastodon. Os conterrâneos do Howler, a despeito de qualidades evidentes, são um exemplo perfeito de grupo hypado. E os ingleses do The Horrors já passaram pelo hype, sobreviveram e chegam maduros ao 3º CD.

Em seu quinto álbum de carreira, The Hunter, o Mastodon é o grande destaque desta leva.

Trata-se, sem dúvidas, de um CD de heavy metal, mas, a exemplo do Black Album do Metallica ou do Nevermind do Nirvana, é uma daquelas obras que, de tão boas, extrapolam limites de gêneros e se tornam capazes de agradar fãs do rock de qualquer idade ou orientação.

E se for verdade que a primeira impressão é a que fica, é praticamente impossível fugir a à sensação arrebatadora provocada logo na primeira faixa, Black Tongue.

Depois de um riff sinistro, que parece ter sido gravado do alto de uma montanha em meio a uma tempestade, a bateria de Brann Dailor desce sobre o ouvinte como uma avalanche descontrolada. Quando Troy Sanders (baixo e vocal) surge rugindo como um leão ferido, a voz pairando muito clara e quase etérea sobre a massa sônica, o estrago no ouvinte – no bom sentido – já foi feito.

Confira Black Tongue no vídeo abaixo e veja como foi esculpida a carranca sinistra que adorna a capa de The Hunter.

Já as bandas Howler (de Minneapolis, EUA) e The Horrors (de Southend, Inglaterra) vem nadando de braçada no chamado circuito indie graças aos elogiados America Give Up (da primeira) e Skying (da segunda).

Ambos os discos foram lançados no Brasil pelo bacanérrimo selo carioca Lab 344.

Howler, os garotos hipsters de Minneapolis. Foto cedida pelo Lab 344

Encabeçando as apostas de “próximos Strokes”, o Howler soa mais como um Jesus & Mary Chain mais ensolarado e menos deprimido do que com a banda de Nova York com a qual tem sido comparada.

Estão lá as melodias sessentistas (praia surf music), as guitarras apitando e as batidas bubble gum, que tanto vem agradando aos adeptos do estilo.

The Horrors (foto de Andrew Whitton), faz uma boa atualiazção de sons pós-punks, mas sem cair na depressão profunda

Os ingleses do The Horrors mais experientes, portanto mais maduros, foram uma das sensações do ano passado na Europa, com Skying.

Mais uma vez, nada de exatamente novo aqui. E sim, uma atualização – muito bem sucedida, diga-se – de sons que gerações anteriores de indie rockers conhecem muito bem, como Joy Division, The Cure, My Bloody Valentine e afins.

Assim como o Mastodon, os rapazes do Horrors conhecem bem suas fontes, mas tem personalidade o bastante para não cair na mera imitação. O curioso é que, mesmo partindo de influências tão macambúzias (conhecido no metiê roqueiro local como rock triste), o Horrors não sugere o cortar de pulsos iminente que caracterizou suas referências.

I Can See Through You é outro hit do álbum, uma levada em crescendo de teclado e guitarra com refrão para cantar junto.

O lançamento do catálogo “Arquivo Fotográfico Zélia Gattai Volume 1 – Casa do Rio Vermelho: Família”, realizado ontem, na Fundação Casa de Jorge Amado (Pelourinho) serviu de mote também para a divulgação da programação oficial em homenagem ao centenário de Jorge Amado. Confira os destaques da programação:

Março

  • O escritor será tema de palestras de Antonella Rita Roscilli e Gianni Miná, na Biblioteca Nazionale Centrale di Roma, na Itália. O evento contará também com leituras de trechos de obras de Jorge Amado realizadas por autores italianos, além da exposição fotográfica “O Universo Amadiano”, do jornalista baiano Sérgio Siqueira.

 

Abril

  • Dia 17: Exposição “Jorge, Amado e Universal”, com fotografias, objetos, folhetos de cordel e filmes, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo
  • Dia 19: Atividades na Biblioteca Nacional de Roma, na Itália
  • 26/04: Palestra de Myriam Fraga sobre a relação entre os livros de Jorge Amado e a religião afro-brasileira, no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador
  • Dia 28: Projeto Merendas de Dona Flor, com feira gastronômica inspirada nos livros de Jorge Amado, às 16h, no Largo do Pelourinho, em Salvador

 

Maio

  • Dia 14: Exposição “Zélia Gattai – 96 anos de palavras e imagens”, no Café-Teatro Zélia Gattai, na Fundação Casa de Jorge Amado, como parte integrante da Semana de Museus
  • Dia 26: Projeto Merendas de Dona Flor, com feira gastronômica inspirada nos livros de Jorge Amado, às 16h, no Largo do Pelourinho, em Salvador

 

Junho

  • Lançamento do livro “Jorge Amado e a Sétima Arte”, com depoimentos de autores, cineastas, atores, atrizes, diretores, roteiristas, jornalistas e pesquisadores coletados a partir da XXVIII Jornada Internacional de Cinema da Bahia, realizada em 2001. Data e local a serem definidos.

 

Julho

  • Lançamento do livro comemorativo aos 25 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, com fotografias e informações sobre o trabalho de preservação e divulgação da memória do escritor. Data e local a serem definidos.
  • Exposição comemorativa aos 25 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, no shopping Iguatemi, em Salvador. Data a ser definida.
  • Dia 28: Projeto Merendas de Dona Flor, com feira gastronômica inspirada nos livros de Jorge Amado, às 16h, no Largo do Pelourinho, em Salvador

 

Agosto

  • Dia 10: Exposição no Museu de Arte Moderna da Bahia
  • dia 20: Curso Jorge Amado 2012 – II Colóquio Internacional de Literatura Brasileira, promovido pela Academia de Letras da Bahia em parceria com a Fundação Casa de Jorge Amado. A programação inclui o lançamento do livro com os anais da edição 2011. Informações sobre inscrição devem ser divulgadas até julho.
  • Dia 25: Projeto Merendas de Dona Flor, com feira gastronômica inspirada nos livros de Jorge Amado, às 16h, no Largo do Pelourinho, em Salvador

 

Setembro

  • Dia 29: Projeto Merendas de Dona Flor, com feira gastronômica inspirada nos livros de Jorge Amado, às 16h, no Largo do Pelourinho, em Salvador

 

Outubro

  • Dia 11: Colóquio internacional em homenagem ao escritor, na Université Rennes 2, na França, em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Dia 27: Projeto Merendas de Dona Flor, com feira gastronômica inspirada nos livros de Jorge Amado, às 16h, no Largo do Pelourinho, em Salvador

 

Novembro

  • Dia 24: Projeto Merendas de Dona Flor, com feira gastronômica inspirada nos livros de Jorge Amado, às 16h, no Largo do Pelourinho, em Salvador

No TCA, Roberta Sá abre hoje turnê nacional, veja o convite da cantora

postado por Chico Castro Jr. @ 10:39 AM
1 de março de 2012

Lançado no início de janeiro, o disco Segunda Pele, da cantora Roberta Sá, foi largamente elogiado pela crítica e vendeu 13 mil cópias só na primeira semana. Hoje, os baianos vão conferir ao vivo a performance da artista e a produção que a cerca no show que abre sua turnê nacional por dez cidades.

Às vésperas da estreia, Roberta conta que não tem tido tempo nem para sentir aquele friozinho na barriga: “É tanta coisa pra resolver que o frio na barriga acho que fica só para pouco antes de subir no palco. Aliás, acho fundamental (o frio na barriga) pra estrear legal”.

Leia mais no seu Caderno 2+ de hoje.

Faixa a faixa do novo disco de Lucas Santtana

postado por lucas @ 10:31 AM
28 de fevereiro de 2012

POR LUCAS CUNHA – (@_lcunha)

O cantor lança "O Deus Que Devasta Mas Também Cura" em download gratuito. Foto: Daryan Dornelles / Divulgação.

O cantor lança "O Deus Que Devasta Mas Também Cura" em download gratuito. Foto: Daryan Dornelles / Divulgação.

O cantor baiano radicado no Rio de Janeiro Lucas Santtana lança nesta terça-feira, 28, a partir das 14 horas, para download gratuito em sua página no Facebook, o álbum “O Deus Que Devasta Mas Também Cura”, quinto disco de sua carreira.

Publicamos aqui um faixa a faixa do disco, como complemento da matéria publicada nesta-terça no Caderno 2+ de A TARDE, onde o cantor comenta cada uma das 10 faixas de mais este belo disco de Lucas, um dos principais nomes da MPB dos anos 2000, que tem em sua discografia os seguintes álbuns: “Eletro Bem Dodô” (2000), “Parada de Lucas” (2003), “3 Sessions in a Greenhouse” (2006) e “Sem Nostalgia” (2009).

Para quem não tem Facebook, Lucas promete o lançamento, também em download gratuito, a partir de sexta-feira (2 de março), dentro do seu novo site (www.lucassanttana.com.br), a ser lançado no mesmo dia. 

O DISCO:

80% das composições do disco foram feitas num periodo de 2 meses. Foi esse grupo de canções irmãs que deu origem ao disco. Além disso, outra coisa que dá unidade a ele é a presença de camadas orquestrais, ora tocadas, ora sampleadas”.

1- O DEUS QUE DEVASTA MAS TAMBÉM CURA

Fiz essa música originalmente para o disco do Gui Amabis. Foi a música que desencadeou todas as composições do disco. A faixa tem a participação especial de Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz”.

2- MÚSICO

Fiz uma versão para essa parceria de Tom Zé (letra) com os Paralamas do Sucesso (música). Acho essa letra uma das mais lindas da história da MPB. Tem participação da Céu nos vocais, Curumin na mpc, Marcos Gerez (Hurtmold) no baixo, Gustavo Ruiz nas guitarras, Mauricio Fleury (Bixiga 70) no sinthy, Rica Amabis (Instituto) nos samples e Bruno Buarque na bateria. Como a faixa se chama “Músico”, quis chamar músicos que eu admiro para tocar nela. Sampliei orquestrações de Beethoven”.

3- JOGOS MADRUGAIS

Fiz essa música depois de uma noitada jogando videogame, mas quando terminei a letra e mostrei para a banda, todos acharam que se tratava de uma noitada de drogas e sexo, hahahaha. O refrão em inglês é inspirado num documentário que vi sobre neurociência. E definitivamente, é uma música para as pistas! Usei baterias eletrônicas vintages nela e sampliei o Quarteto de cordas de Ravel”.

4-É SEMPRE BOM SE LEMBRAR

Balada prima irmã de “O Deus…”. Tem a participação do produtor Gui Amabis nos samples de orquestra, do maestro Luca Raele (Nouvele cousine) no clarinete, de Kassin no baixo acustico e de Marcelo Lobato (O Rappa) no vibrafone”.

5- SE PÁ S.K.A S.P

Fiz essa música para São Paulo. Inspirado na minha convivência com os meus amigos nacidade. É um s.ka clássico com participação de Morotó Slim (Retrofoguetes) nas guitarras surf music. Os arranjos de metais eu mesmo escrevi”.

6- ELA É BELÉM

Tanto a música quanto a culinária fizeram de Belém do Pará um lugar mítico para mim. Sempre quis conhecer mas nunca rolou. Então fiz essa música para a cidade sem nunca ter ido lá. Como um mantra para abir essa porta. E esse ano finalmente rolou. Toda a faixa foi produzida por Gilberto Monte em Salvador-BA, incluindo orquestra e eletrônica”.

7- VAMOS ANDAR PELA CIDADE(versão instrumental)

A princípio tinha letra, mas o arranjo de metais do Guizado ficou tão contundente e casou tanto com os arranjos orquestrais do disco, que resolvi deixá-la instrumental”.

8- PARA ONDE IRÁ ESSA NOITE?

Outra balada, inspirada numa noitada em São Paulo. Uma ficção a partir da realidade. 7 faixas do disco tiveram como banda Marcelo Callado(bateria), Ricardo DiasGomes(baixo) e Gustavo Benjão(guitarra), Lucas Vasconcellos(teclados) e David Cole(efeitos). Essa é uma delas”.

9- DIA DE FURAR ONDA NO MAR

Fiz essa música para meu filho Josué e meus dois sobrinhos, Joaquim e Mateus. No processo acabei usando trechos do livro ABC do Josué, que será lançado esse ano pela Editora Dantes. Nele, Josué dá suas definições para diversas palavras do nosso cotidiano. Gravei a voz de vários amigos do Josué no final da faixa se convidando”.

10- O PALADINO E SEU CAVALO ALTAR

Uma versão que fiz para uma música da banda inglesa My Tiger My Timing. O Buguinha Dub diz que é um Kuduro, eu não sei. Só sei que ela foi bastante influenciada pelas minhas discotecagens de Global Guettotech”.

 



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